Preços para cima

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O projeto de revitalização da Zona Portuária do Rio fez a demanda por prédios e terrenos na região triplicar nos últimos 12 meses. A valorização dos imóveis já bateu 400%, diz Ricardo Varella, diretor do escritório fluminense da consultoria Colliers International.

Mas a especulação, prevê, deve cair à metade por causa do uso dos Cepacs (certificados de potencial adicional de construção). “Quem for investir na área terá que adquirir Cepacs, para construir além do gabarito. Assim, os preços dos imóveis vão acabar caindo”, explica Varella. Entre os interessados na área estão uma rede hoteleira internacional e uma multinacional que já atua no país.

Cleber Gurgel, gerente regional da consultoria Cushman & Wakefield no Rio, faz couro com Varella quanto ao aumento da demanda. Mas tem uma ressalva: “Os negócios ainda aguardam a confirmação de que, dessa vez, a revitalização esperada há anos vai acontecer”.

Para Gurgel, as empresas interessadas em se instalar na Zona Portuária buscam, sobretudo, redução de custos. O Rio tem o preço médio para locação de espaços corporativos classe A mais alto do país. No trimestre passado, o valor caiu 4% frente igual período de 2008, para R$ 88,54/m², segundo a pesquisa Market Beat, da consultoria. “Reflexo da crise e da nova oferta de imóveis na cidade”, diz.

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Gênio que amava décor

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As cores de céu e de piscina no quadro 'Natureza morta com aparador verde'; a jarra lembra a nossa cerâmica São Simão (Fotos da Pinacoteca do Estado e da Succession H. Matisse)

As cores de céu e de piscina no quadro 'Natureza morta com aparador verde'; a jarra lembra a nossa cerâmica São Simão (Fotos da Pinacoteca do Estado e da Succession H. Matisse)


Atribuir um sentido pejorativo à palavra decoração implica em grave erro de julgamento. É preciso ser, antes de tudo, decorativo. A substância não basta. É preciso também um envoltório.

São, sim, de Henri Matisse as frases acima. Pasmem os preconceituosos que insistem em dizer que artes plásticas e decorativas nada têm a ver entre si, ou que os traços decorativos encontrados na obra do pintor francês denunciariam um artista menor.

Sem dúvida um dos grandes da pintura europeia da primeira metade do século 20, Matisse tinha um olhar especialmente sensível ao entorno. E, como todo apaixonado pelas artes decorativas, gostava de chiner, ou seja, sair por aí à cata de belos tecidos, objetos e ao que agradasse ao olhar. O pintor, que sempre cuidou de bem compor os interiores de seus quadros ? em que a luz e as cores eram determinantes da atmosfera e do traçado ? jamais temeu entrar nessa seara.

É justamente esse lado decô de Henri Matisse que descubro ao visitar a exposição Matisse Aujourd?hui, na Pinacoteca. Ali, desde 5 de setembro e até amanhã ? portanto quem não foi que vá correndo ?, estão reunidos quadros e gravuras de todos os períodos do consagrado pintor, assim como trabalhos de um grupo de jovens artistas franceses que dialogam com a sua obra. Uma experiência inspiradora que pode ser vivida pelos apaixonados do decô como uma lição também de equilíbrio entre volumes e cores no espaço interno de uma casa.

“A integração da figura dentro do espaço permite a Matisse criar decorações de ambientes que são verdadeiros quadros dentro do quadro. E como o olhar da modelo ali retratada se dirige ao espectador, uma perspectiva arquitetônica acaba surgindo naturalmente”, declara a curadora Emilie Ovaere no belo catálogo que acompanha a exposição.

Na mostra, fica logo evidente o encanto e o fascínio do pintor pela tecelagem. Por tecidos coloridos e estampados com os quais forrava as paredes de seu ateliê e que são uma constante em seus quadros. Nascido em Le Cateau-Cambrésis, cidade conhecida pela produção de tecidos de luxo, não espanta o seu gosto pela tecelagem. E a uma coleção que cedo iniciou, ele foi ao longo dos anos agregando tecidos marroquinos, africanos, indianos, papas polinésias e pareôs tifaifai.

AS ODALISCAS - Interessante para qualquer profissional do design é observar a série Odaliscas em seus interiores, pinturas do período em que viveu em Nice, no sul da França, e das viagens ao Marrocos. Uma foto de Matisse pintando o seu famoso Odalisca com calça vermelha mostra os interiores do seu ateliê, tal como no quadro, com as paredes forradas com tecido estampado. Na tela, o tapete vermelho é do mesmo tom das calças da odalisca, e o azul do cinto é a cor dominante da estampa na parede atrás do divã onde a deitou.

Já no quadro Interior em Nice, a cor parece entrar pelas persianas italianas. O tom do carpete estampado, o da parede ao fundo e o do móvel se juntam em uma mesma cor, em ambiente onde a claridade de fora e a penumbra de dentro sugerem a temperatura ideal ao descanso da odalisca.

Um retrato nada convencional, mas que é revelador da preocupação de Matisse com o interior do retratado, é o da baronesa Gourgaud, mulher de um amigo. Como considerava desagradável pintar retratos de pessoas conhecidas, fez algumas exigências, como a de que sua modelo estivesse também no quadro. O resultado é uma bela composição, onde o espelho traz profundidade ao ambiente, reflete as costas do vestido estampado da baronesa e a toalha sobre a mesa lembra um desses tecidos do Usbequistão, os hoje tão fashion e sofisticados Suzani. Nesse quadro, surpreende mais que tudo ? outra pequena prova do amor de Matisse pela decoração ? a presença de um livro intitulado Art et Decoration.

Não deixa de ser incrível descobrir no quadro Moça com peliça branca que, para recostar sua modelo, Matisse escolheu uma chaise longue Le Corbusier forrada de pele de zebra. Nas paredes, os tecidos estampados. E no todo, como diz a expert em Matisse, Isabelle Monod-Fontaine, “um espaço totalmente reinventado pela cor”. Em Natureza morta com aparador verde, obra de 1928, os tons de azul e de verde-piscina lado a lado, o tecido quadriculado e a jarra branca e azul nos remetem aos interiores de igrejas portuguesas onde essa mistura de cores é uma constante.

OBSESSÃO POR CÉZANNE - Matisse não escondia sua necessidade de viver onde a luz fosse abundante. Muito ressentiu o período em que viveu no norte da França, o que o levou a pintar com cores cinzentas e sombrias. Sabe-se que o pintor foi sempre um obcecado por Cézanne. Admirava nele a simplicidade e a escolha de motivos totalmente destituídos de exotismo. Era como se assimilar a obra do mestre fosse um imperativo antes que pudesse dar o seu próprio salto. Dizia que ” depois de Cézanne, a cor ainda está por ser inventada”. Foi só depois disso que deixou que a cor explodisse em suas pinturas.

Nos anos 40, Matisse propalava claramente o seu comprometimento com a cor. A um amigo escreveu que os desenhos não lhe interessavam mais e, com apenas o recurso da cor, ele iria daí por diante delimitar os espaços de seus quadros.

Era cioso do seu próprio interior, casa, ateliê e laboratório de ideias. Em 1946, recortou uma andorinha em folha de papel de carta que colou na parede para esconder uma mancha. Foi o começo de uma série de recortes que foram aos poucos ocupando toda a superfície. A brincadeira acabou se transformando nos painéis Oceanie, hoje no acervo o Museu Matisse de Le Cateau-Cambrésis. Foi como abordou a questão do espaço vibrante e a ideia de dar vida a um traço e a uma linha. E depois, quando na França as velhas manufaturas de tapeçarias se preocuparam em dar um novo rumo à essa arte tão tradicional, Matisse não hesitou. Levando em conta a problemática da parede, de modo a que o resultado não parecesse a cópia de um quadro, fez cartões para tapeçarias com seus recortes de pássaros, algas brancas e peixes.

VITRAIS E PAINÉIS - Nesse mesmo ano, Matisse resolveu, como anunciou ao galerista Paul Rosenberg, deixar de lado a pintura para entregar-se apenas a trabalhos decorativos. Ele fez os murais da série A dança de Barnes, os cartões para as tapeçarias Polinésia, e maquetes para painéis estampados sobre linho. Dedicou-se também a fazer vitrais e painéis de cerâmica para a casa de amigos.

O que Matisse considerou como sendo a sua obra prima é a capela de Vence, um projeto de arquitetura. A ela dedicou os últimos anos de sua vida. Idealizou não só o exterior como todos os detalhes da decoração ? vitrais, cerâmicas murais, capelas, batistérios e até os objetos de culto e sacerdotais. Já doente, projetava nas paredes de seu quarto com um lápis atado a um vareta.

Expressão e decoração seriam para ele uma mesma unidade. O segundo termo estaria condensado no primeiro: “Um artista tem de olhar para a vida sem preconceitos”. É a lição que nos deixou. (http://www.mariaignezbarbosa.com/).

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Lucro da Caixa cresce 23% no trimestre

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A Caixa Econômica Federal divulgou ontem um lucro líquido de R$ 869,9 milhões no terceiro trimestre de 2009. O valor é 23,2% superior ao de abril a junho e 20,5% maior na comparação com igual período de 2008, no agravamento da crise global. O forte aumento das operações de crédito explica a melhora do resultado trimestral, diz o banco. De janeiro a setembro, porém, o ganho somou R$ 2,02 bilhões, com queda de 37,9% ante igual período de 2008.

O resultado trimestral da Caixa é bastante inferior se comparado aos principais concorrentes privados. No mesmo trimestre, Itaú Unibanco teve ganho de R$ 2,26 bilhões e Bradesco lucrou R$ 1,91 bilhão. Dessa forma, o ganho dos nove meses da instituição federal é comparável ao lucro do resultado trimestral dos concorrentes.

Segundo a Caixa, o aumento do lucro foi gerado principalmente pelas várias receitas com empréstimos, que somaram R$ 3,65 bilhões nos três meses, valor 28,2% maior que o de igual período de 2008, e também pela receita obtida com a cobrança de tarifas bancárias, que cresceu 25,5% na mesma base de comparação e somou R$ 2,37 bilhões.

Entre os serviços prestados pelo banco, chama a atenção o salto de 129% do valor obtido com as tarifas do cartão de crédito, que somaram R$ 94 milhões. “A grande influência para o bom resultado foi a expansão do crédito. A nossa carteira cresceu 61,9% nos 12 meses até setembro. Isso rebateu na receita obtida com as operações de crédito”, disse o vice-presidente de Controle e Risco, Marcos Vasconcelos. Em setembro, a soma de todos os empréstimos era R$ 111,9 bilhões, com alta de 12,8% no trimestre.

Segundo ele, a instituição tem conseguido aumentar o crédito porque há redução de juros ao cliente e do spread bancário - que é a margem cobrada pela instituição nos financiamentos.

Ao mesmo tempo, pesou positivamente a queda da inadimplência. Segundo Vasconcelos, a parcela dos empréstimos das pessoas físicas com atraso superior a 90 dias caiu de 5,4% em junho para 5,2% em setembro. Entre as empresas, a inadimplência recuou de 2,4% para 2,1% no mesmo período.

Apesar da melhora da inadimplência, a provisão para créditos duvidosos saltou 73,7% no trimestre ante igual período de 2008, para R$ 983 milhões. Em nove meses, o banco reservou R$ 2,53 bilhões para cobrir eventuais prejuízos com inadimplência, valor 77,1% maior que no mesmo período do ano passado.

Com a expansão da carteira de crédito nos últimos meses, a Caixa comemora o fato de ter, atualmente, mais ativos em crédito que em tesouraria - que são as aplicações do banco, normalmente em títulos públicos. “Hoje, 32,7% dos ativos do banco estão em crédito e 31,7% estão na tesouraria. É a primeira vez desde a reestruturação de 2001 que isso acontece”, disse o vice-presidente. No fim de 2007, a proporção era 22,4% para o crédito e 49% para a tesouraria.

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Para conceder o habite-se, o plantio de mudas

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A prefeitura decidiu exigir no momento da concessão do habite-se de novas construções uma contrapartida ambiental em forma de mudas de espécies da Mata Atlântica. Essas mudas serão usadas nos programas de reflorestamento da Secretaria municipal de Meio Ambiente. As regras, que entraram em vigor ontem, fazem parte do legado ambiental proposto ao Comitê Olímpico Internacional (COI) como parte da organização das Olimpíadas de 2016. A ideia é que o plantio das mudas compense a emissão de gases do efeito estufa produzidos pelo deslocamento de materiais para o canteiro de obras, dos resíduos da construção civil e do movimento da terra.

O secretário municipal de Meio Ambiente e viceprefeito, Carlos Alberto Muniz, disse que, como política sustentável, é inédita no Brasil. A contrapartida ambiental será exigida em todos os projetos a partir de 180 metros quadrados de área construída.

O empreiteiro terá que fornecer uma muda a cada 60 metros quadrados construídos acima dos 180 metros quadrados. Com base nas licenças emitidas pela Secretaria municipal de urbanismo, a estimativa é que a prefeitura receba cerca de 72 mil mudas por ano. Boa parte delas será usada no reflorestamento do Parque Estadual da Pedra Branca, que tem uma de suas vertentes nas vizinhanças da região da Barra da Tijuca, onde estarão concentradas boa parte das provas olímpicas.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Roberto Kauffmann, elogiou a medida. Mas ele disse que outros mecanismos poderiam ser aplicados como contrapartidas ambientais. E cita como exemplo, projetos que prevejam a reciclagem de água das chuvas ou que favoreçam a iluminação natural.

O secretário, por sua vez, argumenta que essa implantação não seria viável neste momento.

“Se criássemos mais exigências isso poderia dificultar muito o processo de habite-se. Essa é uma medida simples e fácil de ser entendida”, justificou o secretário.

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Cinco mil novos imóveis no Rio

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A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, vão assinar, na próxima terça-feira, no Palácio da Cidade, um convênio de liberação de recursos para a construção de cinco mil unidades do programa habitacional “Minha casa, minha vida”. Os imóveis serão destinados a famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 1.395) inscritas no cadastro da Secretaria municipal de Habitação do Rio. O valor do investimento ainda não foi divulgado.

As unidades serão construídas em diversos bairros do Rio, especialmente na Zona Oeste. A prioridade da prefeitura é atender, por meio do programa, as famílias que vivem em área de risco. Os selecionados serão convocados pela secretaria e pela Caixa Econômica Federal. As prestações serão equivalentes a 10% da renda familiar mensal - sendo a parcela mínima de R$ 50 e a máxima, de R$ 139,50 - e deverão ser pagas em dez anos.

O “Minha casa, minha vida” entrou em vigor há seis meses em todo o pais. A meta é contratar um milhão de moradias até o fim do ano que vem.

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