Profissional explora materiais de diferentes texturas e tons em projeto de casa com espaços limpos

Categorias: ARQUITETURA E URBANISMO, DECORACÃO E JARDINAGEM
A casa vista do lado de fora. Brises de madeira ao longo da construção lateral dão privacidade e controlam a entrada da luz (Fotos de Zeca Wittner)

A casa vista do lado de fora. Brises de madeira ao longo da construção lateral dão privacidade e controlam a entrada da luz (Fotos de Zeca Wittner)

Faça o que achar melhor, nos dê a sua versão. Com essa carta branca dos donos, o arquiteto Mauricio Queiroz idealizou uma morada em harmonia com o entorno e raro apreço pelos detalhes. O casal, que já vivia na propriedade havia 18 anos, desejava reunir os filhos e netos nos fins de semana e, para tanto, queria ampliar a área construída com alas modernas e ambientes de entretenimento. Toda a estrutura antiga foi posta abaixo, com exceção do living e da cozinha ? e havia uma razão para isso. “Fiz questão de preservar os vigamentos do telhado; é uma parte notável da casa”, ressalta o arquiteto.

Seguindo a mesma linguagem construtiva, o home theater ganhou cobertura aparente de madeira com revestimento de palhinha. Portas de correr envidraçadas se abrem para o amplo terraço com vista para o bosque do condomínio. “Antes, a casa era toda voltada para a rua, mas é a parte dos fundos que tem a paisagem mais bonita”, observa Mauricio. Assim, o escritório/ateliê e três dos cinco dormitórios foram erguidos na parte de trás da residência. Para destacar a vista privilegiada, terraços e varandas têm guarda-corpos de diferentes materiais e desenhos, como madeira vazada e vidro. “Até pelas novas dimensões do projeto, com 2,8 mil m² de área útil, a arquitetura não podia ser monótona. Os elementos são diferentes, mas não dissonantes; eles se relacionam um com o outro”, salienta o profissional.

VIDRO, PEDRA E MADEIRA - A riqueza de texturas também revela o caráter pluralista da morada. Na área anterior à escada externa, que conduz ao deck, o piso de fulgê (Pedras Bellas Artes) acentua as réguas de madeira cumaru dos degraus (Aroeira), fazendo contraste com a parede de pedra moledo em frente. Com uma grande abertura de vidro, a parede contígua permite vislumbrar uma das escadas internas, também de madeira. “Meu objetivo era produzir espaços limpos com diferenças sutis de tons, texturas e medidas”, diz o arquiteto. Próxima ao pé da escada, uma corrente desce a partir do telhado do quarto andar, onde foi feito um pequeno buraco que serve para escoar a água das chuvas. A corrente metálica substitui o tradicional tubo fixado na parede e desce até o solo, no nível inferior ao deck, produzindo um belo efeito com a queda d?água.

Em meio à predominância da madeira (piso e guarda-corpos, entre outros) e pedras em tons neutros, o muro revestido de pastilhas de vidro azuis (Vidrotil) traz vivacidade inesperada ao terraço principal. A estrutura de 3,5 m de altura faz parte da piscina suspensa, instalada na frente da academia de ginástica. Como uma delicada cascata ao longo do muro, o tanque tem um sistema de bombas que faz a água cair e a recolhe depois para os filtros, devolvendo-a novamente à piscina. Esta ganha contornos de espelho d?água à noite, com a iluminação subaquática em tom azul (Lock).

“Queria uma morada não óbvia, mais do que uma construção moderna”, diz o arquiteto paulistano, de 39 anos. “Procurei instigar sensações por meio dos espaços criados.” Esse cuidado pode ser atribuído, em parte, à sua experiência em uma agência de publicidade, onde fazia cenografia, entre outras atividades, antes de se formar no Mackenzie. Algum tempo depois, na Espanha, trabalhou com Isaac de Mapasa, vencedor do concurso de comunicação visual dos Jogos Olímpicos de 1992. “Fui o coordenador da equipe de design visual dos estádios”, lembra Mauricio, cujo escritório de arquitetura faz projetos residenciais e comerciais, incluindo obras na Espanha, Portugal e Angola.

AR CENOGRÁFICO - Exemplos dessa visão multifacetada não faltam na casa, concluída em 2007. Na área social, o corredor que une o living à sala de jantar tem um pé-direito baixo, de 2,20 m, e o arquiteto aproveitou essa característica para dar-lhe a atmosfera de um túnel, revestindo paredes e piso com mármore travertino bruto (Mont Blanc). “A ideia era criar mais do que uma simples passagem e dar-lhe um ar cenográfico, especialmente com a iluminação do piso, que destaca os relevos da pedra”, diz Mauricio.

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A retomada do crescimento

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Não é de hoje que a economia brasileira vem dando sinais de que a crise internacional foi mesmo uma marolinha por aqui. A boa notícia agora é que a luz do crescimento está apontando para o setor produtivo. Os sinais são claros, pois, como forma de garantir o crescimento acelerado do país, ele começa a pressionar o governo por mais estímulos.

Um recente estudo do economista Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica, sobre a capacidade instalada nos diversos setores da indústria, mostra que em alguns deles a utilização já está próxima dos níveis pré-crise, reforçando a necessidade e a urgência de novos investimentos como forma de conter as pressões inflacionárias e o aumento de juros.

O assunto foi muito bem abordado por uma reportagem do Globo, publicada no domingo, dia 11 de outubro. O estudo mostra que, na média, o nível de utilização na indústria de transformação chegou perto de 82% em setembro, com crescimento previsto de 0,85 ponto percentual por mês no último trimestre. O estudo lembra que, no fim do ano passado, pouco antes do auge da crise, a utilização estava em 86,6%.

O economista calcula que, se o grau de utilização continuar crescendo nesse ritmo, em seis meses chegará perto de 85%, nível que prevaleceu no período de exuberância da indústria no pré-crise. Segundo ele, esse é um nível que levaria os empresários a fazerem planos de novos investimentos. Por outro lado, o economista também alerta que isso poderia levar o Banco Central a aumentar os juros para conter as pressões inflacionárias.

O estudo de Julio de Almeida mostra ainda que, em alguns setores da indústria, os gargalos são mais evidentes - caso de material de construção (cujo indicador já atingiu 89,3%) e bens de consumo em geral (84,4%), que são preocupações evidentes a curto prazo. Já nos setores muito afetados pela crise e naqueles que não contaram com compensações fiscais do governo (redução do IPI, por exemplo) há ainda alguma folga. Esse é o caso dos setores mobiliário e de bens de capital.

A produção segue o mesmo caminho. Segundo o IBGE, dos 26 subsetores pesquisados, seis já ultrapassaram o patamar de setembro de 2008, o mais alto da série histórica. Outros três - mobiliário, refino de petróleo e álcool e alimentos - devem ter alcançado esse ritmo de produção no mês passado. Alguns especialistas, inclusive, afirmam que já existem sinais concretos de pressões inflacionárias para 2010.

O governo, no entanto, tem se mostrado hábil nessas questões. Mesmo com a crise, o país conseguiu, através da sua política econômica, manter por aqui seus principais investidores. Os técnicos do governo, por sua vez, lembram que os estímulos para o setor produtivo foram desempenhados pela política anticíclica, implementada em meio à crise global, e que a margem fiscal, agora, é bem menor.

As desonerações tributárias postas em prática, como a redução do IPI para automóveis e a linha branca, representaram uma renúncia fiscal de R$25 bilhões este ano. Também há que se reconhecer que o governo acertou ao criar os incentivos do BNDES para a compra de bens de capital, com financiamento de longo prazo e juros subsidiados de 4,5% ao ano. Esses incentivos poderiam até permanecer combinados com a desoneração dos investimentos. Mas os técnicos, entretanto, consideram que o importante seria desonerar a folha de pagamento das empresas. Só que essa medida exige uma renúncia fiscal num momento de queda de arrecadação, o que não deve acontecer.

O importante disso tudo é ver que o país está no caminho certo. Não há espaço para o aumento de preços na indústria. Qualquer bem que sofrer reajuste será substituído pelo importado. Com o câmbio valorizado, aliás, muitos já estão deixando de produzir, para importar. Os próprios representantes industriais admitem que o setor está, sim, aquecido, mas não é só isso que deve pressionar a inflação em 2010.

Eles lembram que a construção civil - que recebeu incentivos como o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida - deve crescer entre 2,5% e 3% este ano e mais 5% em 2010. É preciso, contudo, investir em mão de obra e continuar trabalhando com medidas que aumentem a competitividade das empresas e reduzam custos. Até aqui, o governo tem agido bem. Mas seu papel de protagonista desse crescimento só se manterá se ele continuar a fazer seu dever de casa.

Bernardo Ariston (PMDB-RJ) é presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

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Bom senso no inquilinato

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Pode não ser a única, mas certamente é uma das mais importantes causas do crônico déficit habitacional brasileiro a legislação do inquilinato que tem vigorado no Brasil, nas últimas décadas, alegadamente com o objetivo de dar uma sólida proteção aos inquilinos, mas chegando, no geral, a resultado exatamente oposto. Antes do regime militar, o proprietário de um imóvel residencial praticamente não podia despejar seu inquilino, mesmo por falta de pagamento. A única possibilidade de um locador retomar seu imóvel seria para uso próprio ou de parente em linha reta, descendente ou ascendente. Já no regime militar, os aluguéis foram protegidos com o limite de 80% da correção da moeda válida para todos os demais contratos.

É claro que esses mecanismos de falsa proteção não estimularam ninguém a investir em imóveis residenciais para aluguel. E hoje, mesmo com o despejo por falta de pagamento e as condições de reajuste das locações residenciais mais próximas da realidade, a insegurança do locador residencial ainda se traduz em nada menos do que 3 milhões de imóveis fechados, pelo temor de seus proprietários de esperar, em média, um ano e quatro meses para despejar um locatário inadimplente. Em razão de tudo isso é que as alterações à Lei do Inquilinato aprovadas na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, em caráter terminativo, por isso devendo seguir para a sanção presidencial, vêm melhorar a legislação do setor.

O objetivo do projeto é incentivar a oferta de imóveis residenciais para aluguel, eliminando da legislação dispositivos que desencorajam proprietários a alugar seus imóveis. Uma das alterações na lei é a que possibilita o despejo do locatário inadimplente com um único mandado judicial. Hoje o inquilino devedor deve receber dois mandados e duas diligências, antes de ser despejado. Outra mudança determina que o locatário deve pagar sua dívida impreterivelmente até 15 dias após ser notificado do despejo, só assim podendo interromper o processo. Hoje há expedientes que o inquilino pode usar apenas para permanecer mais tempo no imóvel, sem pagar.

Mas há também inovações que beneficiam o inquilino: se este for classificado como bom pagador, poderá ser desobrigado de apresentar fiador e dispensado de fazer seguro-fiança. É verdade que a legislação atual não impede que o locador, por mera liberalidade, dispense fiador para um inquilino que conheça como bom pagador. Mas, com a mudança legal, a relação de confiança entre as partes fica mais clara, tanto que o fiador pode ser substituído pelo inquilino em plena vigência do contrato, bastando para isso um aviso com antecedência de 120 dias.

Além disso, se deixar o imóvel antes do término do contrato, o inquilino só se obrigará a pagar multa proporcional ao tempo restante da locação pactuada, e não pelo tempo integral; em lugar da previsão habitual de entrega do imóvel em seis meses, após determinados trâmites, o juiz pode dispensá-los e reduzir o tempo dessa entrega a 30 dias; o fiador costuma apresentar comprovação de renda no início do contrato, agora o locador pode exigir a comprovação atualizada, durante a vigência do contrato.

Pode-se dizer, grosso modo, que a relação locatícia, no caso dos imóveis residenciais, ficou mais fundamentada na liberdade e confiança entre as partes do que em “proteções especiais” forjadas em dispositivos legais capazes de diminuir ou enfraquecer os direitos atinentes à propriedade. Sim, porque permitindo que alguém desfrutasse de um bem de outrem, sem a devida remuneração, a legislação do inquilinato pespegava à propriedade imobiliária uma espécie de parasita, que lhe sugava o valor.

Há uma preocupação, que será justa, caso a interpretação de dispositivos da lei modificada leve a isso de pequenos comerciantes quanto à insegurança da preservação de seus pontos comerciais, em razão da abolição da renovação automática das locações. Se, efetivamente, as alterações no inquilinato abolirem de vez o instituto das “luvas”, há sentido em pretender-se revê-las, por veto presidencial.

Tudo leva a crer que essa mudança legislativa contribua para a atração de investimentos no ramo da construção civil dedicado à edificação de moradias, já que é uma simples evidência a imensa lacuna social, no campo habitacional.

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Treze terrenos da prefeitura irão a leilão

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A Câmara de Vereadores aprovou ontem um projeto de iniciativa do prefeito Eduardo Paes, que autoriza o município a vender 13 terrenos em leilões públicos. A maioria dos imóveis se encontra na Barra da Tijuca alugados a particulares, incluindo áreas ocupadas por escolas particulares, estacionamentos da casa de espetáculos Ribalta e do Recreio Shopping e do heliponto do hospital Rio Mar. A estimativa da prefeitura é arrecadar pelo menos R$ 150 milhões com a venda dessas áreas do município.

Uma emenda aprovada ao projeto vinculou o uso desses recursos a projetos para a saúde na chamada AP 5 (entre Bangu e Santa Cruz).

Entre os bens a serem vendidos está um terreno de 33,9 mil metros quadrados no Centro Metropolitano da Barra da Tijuca, que ainda está desocupado.

Há ainda terrenos ocupados pelo colégio Anglo-Americano, no Condomínio Nova Ipanema (6,4 mil metros quadrados), e a filial da Escola Parque do Recreio dos Bandeirantes (8,9 mil metros quadrados).

Em Del Castilho, a prefeitura aprovou a venda de um terreno de 2.810 metros quadrados alugado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e usado como depósito do templo (Catedral da Fé).

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Senado aprova projeto que facilita crédito habitacional

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(Foto: Verônica Lima)

Novidade consta de projeto aprovado pela CAE do Senado (Foto: Verônica Lima)

Brasília - A situação cadastral em instituições de proteção ao crédito, como Serasa e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), de famílias com renda per capita igual ou inferior ao salário mínimo, não será mais considerada na análise do crédito habitacional. A novidade consta de projeto aprovado hoje pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Aprovado em caráter terminativo pela CAE, o projeto seguirá para análise da Câmara dos Deputados, sem passar pelo plenário do Senado, salvo se houver recurso no prazo de cinco sessões.

O autor da proposta, senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), argumentou que a exigência da “ficha limpa” em instituições de proteção ao crédito é “desnecessária e danosa”, uma vez as famílias de baixa renda, “com orçamentos pressionados pelos altos custos dos aluguéis”, são as que mais têm restrições cadastrais.

“Imposições desta ordem tornam ainda mais difícil o acesso à casa própria e acabam por distanciar os programas habitacionais de seus propósitos”, justificou o senador. “Mantido o imóvel financiado sob hipoteca, o credor já estará suficientemente protegido contra possíveis inadimplências”, acrescentou.

A proposta foi aprovada com parecer favorável do senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA). “Não se pode ignorar o fato de que a maior parte do déficit habitacional do País está concentrada na faixa de renda mais baixa da população, justamente a que enfrenta maiores dificuldades financeiras, para cuja situação o Estado não deve fechar os olhos, até porque a moradia constitui um direito social da população e cumpre, também, à União, viabilizar o acesso à moradia para essa camada da população”, disse o parecer.

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